A.

Quando eu for grande, quando eu for grande vou sair daqui e vou encontrar a minha mãe e ela vai fazer um colar com pedrinhas daquelas que brilham daquelas que há no mar onde ela está e com o meu colar ao pescoço nunca mais me perco no escuro. O meu colar vai matar o escuro. Quando eu for grande mato o escuro.
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Quarta-feira, Agosto 15, 2007
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S.
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Quinta-feira, Agosto 09, 2007
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Gritava por vezes:
- Teresa! - Mas Teresa não respondia. Muda no seu silêncio virginal, mas cheio de sangue a escorrer pelas duas pernas abertas, escancaradas fazendo adivinhar a sua ostra, já sem pérola, mas brilhante e húmida e morna, treme por dentro da pele, por detrás da superfície da pele. Olho para o lado, existe uma esquina onde durante anos esperou por ele. Fizesse frio ou calor, lá estava, esperando. Olhava para a multidão adivinhando o seu rosto. E sempre se desiludia, sempre! Ficou assim para sempre. Para sempre? Sempre é sempre muito tempo, e indefinido para mais… Por ventura, serão as sombras verdes que punha nos olhos? Ou as pestanas postiças mal colocadas? Não. Era apenas o seu olhar, luz vaga no quarto ao lado, ainda os recortes de pessoas que passam, e cá dentro a mão no lençol de flanela amarela. Sempre gostou da sensação da flanela junto ao seu corpo frio e magro, pode-se mesmo dizer ossudo. Existem sempre reticências num ponto final.
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Terça-feira, Agosto 07, 2007
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Simone
Tirei o colar, os anéis e as pulseiras.
Tirei o vestido.
Quem é que fode calçado? Que especial gosto pode ter a visualização de uma mulher nua de pernas abertas, completamente devassada de sexo, completamente exposta, com excepção aos pés, sempre cobertos de sapatos de salto alto?
Podia ser da ressaca, que não me deixava encarar com verdade a luz da minha pele, mas algo me diz que o segredo morava nos arranha-céus vertiginosos dos meus sapatos vermelhos.
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Quarta-feira, Julho 11, 2007
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M.

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Quarta-feira, Junho 13, 2007
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Dita
Senta-te.
Quieto.

Falas quando eu disser. Se eu quiser.
Vais ouvir tudo calado. Obediente. Quieto. Atento.
Mesmo que saia deste quarto, tu ficas no teu lugar.
Esperas.
Como um cão de guarda. Ou de colo.
Se voltar a entrar aqui, não sais do teu lugar. Não olhas para ver se sou eu.
Ficas imóvel.
Quieto.
Se me apetecer dou-te festas.
Se me apetecer dou-te pontapés.
Não te mexes. Nem um esgar de olhos.
Nada.
Dou-te de beber se achar que mereces.
Dou-te de comer se achar que precisas.
Limitas-te a estar, já que não és.
Não és para além da minha vontade.
O meu desejo é o único veículo da tua existência.
Vives porque eu digo.
Morres se eu disser.
Desapareces.
Dissolves-te.
Não pensas.
Não falas.
Não vês.
Aqui dentro de nada te vale que guinches os teus escárnios e vociferes a tua estupidez, de nada valem as tuas ofegantes tentativas para não te engasgares no teu próprio vómito.
Patética e miserável, qualquer tentativa de escape ou revolta.
Fica mal teimar em vontades próprias quendo se é desprovido de espinha dorsal e de pensamento inteligente.
Não tens identidade, és menos que sombra.
Não olhas como igual, baixas os olhos na minha presença, reduzes-te a um canto frio e húmido de uma parede esburacada pelo tempo corrosivo.
Aqui és anónimo.
Mas não porque o quiseste, não porque te preferes esconder para que te não descubram.
És anónimo porque assim te baptizo.
Porque não és ninguém.
Nada. Nem nada és.
Nada.
De nada.
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Quarta-feira, Abril 04, 2007
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Clara

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Quinta-feira, Março 15, 2007
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Solange
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Quarta-feira, Março 14, 2007
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Helena
Já vai para 35 anos a levar com ele.
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Terça-feira, Março 06, 2007
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